Medo de que passageiros portassem o coronavírus fez Japão, Taiwan, Filipinas, Guam e Tailândia recusarem guarida ao navio de cruzeiro oriundo de Cingapura.

Fragata da marinha tailandesa acompanha o navio MS Westerdam Angela Jones/Divulgação/via Reuters O navio de cruzeiro MS Westerdam, com mais de 2 mil pessoas a bordo, chegou ao Camboja nesta quinta-feira (13) após ser rejeitado por outros cinco portos, por medo de que algum dos passageiros estivesse infectado com o coronavírus Covid-19.

A embarcação pertencente à companhia Holland America Line chegou pela manhã (hora local) à costa de Sihanoukville, onde está o principal porto marítimo cambojano, confirmou pelo Twitter o porta-voz do governo Neth Pheaktra. Segundo o jornal "Khmer Times", as autoridades enviaram a um laboratório da capital Phnom Penh 20 amostras de sangue de passageiros que ficaram doentes recentemente, para avaliar se algum deles estaria infectado com o novo coronavírus.

A embarcação leva cidadãos de mais de 30 nacionalidades, incluindo cinco brasileiros. O cruzeiro começou seu trajeto em janeiro, em Cingapura.

Em 1º de fevereiro partiu de Hong Kong e deveria ter chegado no último sábado a Yokohama, no Japão, mas as autoridades locais lhe negaram porto, após um dos ocupantes apresentar sintomas compatíveis com os do Covid-19.

Depois disso, Taiwan, Filipinas, Guam e Tailândia também rejeitaram o Westerdam. Na quarta-feira (12), porém, o primeiro-ministro do Camboja, Hun Sen, anunciou a autorização para o desembarque do cruzeiro, já que, segundo a companhia, ele não está em quarentena e não há motivo para suspeita de novos casos do coronavírus. O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, elogiou a atitude de Hun Sen pelo Twitter: "Agradecemos esse ato de solidariedade no momento em que o mundo abre uma janela de oportunidade para sustar tanto o Covid-19 quanto o estigma e o medo." O premiê cambojano pretende visitar Sihanoukville nesta sexta-feira para encontrar os passageiros. "Como eu disse, a verdadeira doença é o medo, não o vírus.

Queremos eliminar o medo da doença", disse em entrevista ao serviço de notícias Fresh News.

"O coronavírus é um desafio global, e nossos assuntos humanitários não têm fronteiras." A embaixada dos Estados Unidos, país de origem da maioria dos passageiros, disse ter enviado uma equipe para cooperar com a tripulação do Westerdam, as autoridades do Camboja e funcionários de outras embaixadas no desembarque e retorno dos viajantes a seus países de origem. No Japão, o navio de cruzeiro Diamond Princess segue atracado em Yokohama, em quarentena desde 3 de fevereiro.

Pelo menos 218 dos 3,7 mil ocupantes a bordo tiveram o coronavírus confirmado. Sede da OMS em Geneva, que recebeu conferência sobre pesquisas abordando o novo coronavírus; recomendações de prevenção da organização internacional focam em medidas de higiene FABRICE COFFRINI/AFP VIA GETTY IMAGES/BBC Primeira morte no Japão Nesta quinta-feira, o Japão anunciou uma morte em decorrência do Covid-19 – a terceira fora da China continental.

A vítima é uma mulher de 80 anos, que vivia em Kanagawa, ao sul de Tóquio.

As autoridades ainda não conseguiram explicar como ela foi infectada, já que nunca deixara o país.

Investigações foram iniciadas. Segundo fontes do Ministério da Saúde citadas pela emissora pública NHK, a idosa procurou o hospital em 22 de janeiro, queixando-se de cansaço, e seu estado de saúde foi monitorado.

Em 1º de fevereiro, foi hospitalizada e diagnosticada com pneumonia.

Posteriormente sua condição piorou. Além dos passageiros do Diamond Princess, cerca de 30 outros indivíduos estão infectados com o novo coronavírus no Japão, que se torna assim o país com mais casos da doença, depois da China. Apesar disso, nesta quinta-feira o presidente do comitê organizador dos Jogos Olímpicos de Tóquio, Toshiro Muto, classificou como "boato irresponsável" a possibilidade de o evento ser cancelado devido ao surto de coronavírus.

O dirigente garantiu que todo o planejamento seguirá conforme estipulado. Muto deixou claro em encontro com representantes do Comitê Olímpico Internacional (COI) que a organização local não está considerando "adiar nem cancelar" os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, a se iniciarem em 24 de julho e 25 de agosto, respectivamente. Dos mais de 60 mil pacientes infectados, em todo o mundo, mais de 1.300 pacientes já morreram em decorrência da enfermidade viral.